Acho que é senso comum dizer que criança tem um gostar – e um desgostar – mais sincero. Quando não vai com a cara de alguém não tem no mundo quem as convença do contrário. Não chega perto, chora, esperneia, faz cara feia. Não quer saber. Quando gosta, faz questão de falar, brincar. Presta atenção no que diz. Confia.
Das coisas que mais me chamam a atenção nessas minhas andanças, as crianças são das mais bonitas. Nos ombros dos pais, em grupos barulhentos de amigos, carregando bandeiras, cobertos de adesivos. No começo chegam desconfiadas, mas cheias de perguntas. Como ele é? Quero uma foto! E tome carreira atrás para receber um já característico cumprimento com a mão. Sorrisos abertos depois, os olhos brilham. Ele é real mesmo, dá para tocar.
Devagarzinho, a festa do encontro vai abrindo espaço para as palavras. Atentos, ouvem tudo, comentam entre si o que está sendo dito ali. Querem saber das estradas, das escolas, dos hospitais e do que acontece nas outras cidades. Enxergam com olhos de caleidoscópio as transformações e os sonhos virando realidade. Viram torcedores ferrenhos bem nesse minuto. Pequenos cidadãos em formação. De uma riqueza sem fim ver essa consciência crítica nascer.

texto lindo :) parabéns, vanessa!
ResponderExcluir