Por Vanessa Campos
Durante infância e parte da minha adolescência, morei numa cidade muito pequena no interior de Pernambuco. Das minhas lembranças mais fortes, a época de eleições ocupa lugar de destaque. A cidade se agitava para receber os comícios, caminhadas e carreatas. Sempre me fascinou o sentimento que essas visitas provoca nas pessoas.
A hospitalidade e o orgulho em mostrar o seu lugar, em dividir com o outro a sua sabedoria, são das coisas mais bonitas no Ceará. Nesses últimos dias, vi três cidades (Ibiapina, Ubajara e Tianguá) transbordando de alegria. E alegria é algo mesmo contagiante. Uma carreata cruzou os municípios e coloriu de amarelo e vermelho ruas, árvores, pessoas, praças e avenidas. Era gente usando a melhor roupa, arrumando cabelo, limpando as calçadas, convidando os vizinhos para ver das suas varandas os candidatos passando na rua.
Uma moça esperava na entrada de uma das cidades com os dois filhos. A menina tinha tranças milimetricamente arrumadas com fivelas amarelas. “Ela queria que fosse dessa cor porque é a cor da bandeira dele, né?”, me disse a mãe. O filho, com adesivos colados na camiseta e na bermuda, estava eufórico. “Minha mãe nos arrumou cedo, viemos de bicicleta para receber todo mundo”, contava enquanto corria para observar os carros que se juntavam na carreata. “Sempre trato as visitas muito bem, não podia fazer diferente na minha cidade. Ele (Cid Gomes) ajudou tanto a arrumar as coisas aqui (em Tianguá) que eu me arrumei também para vê-lo”, explicou a mãe. Achei justo.



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